Resiliência Materna – O que a dor a e dificuldade pode nos ensinar.

Esta semana me vi voltando ao meu passado não tão distante de 6 anos atrás, quando eu decidi engravidar. Após olhar a foto abaixo, me senti com vontade de escrever sobre um momento bem delicado na minha vida.

Essa foto parece ser a minha filha! Dentro de um monte de seringas, ou como eu acho melhor eu dizer, picadas do amor e da esperança. (foto de uma mãe de Rio Branco que postou essa semana que fez o maior sucesso na internet).

bebe com injeções

 

Quando decidi parar o anticoncepcional para engravidar, achei que seria uma tarefa simples: paro o remédio (pois minha família sempre foi mega fértil e quando eu ia na ginecologista ela me falava que meu corpo brigada com o remédio) depois faz “amor” e pá: estarei grávida!

Para dizer a verdade foi praticamente assim.  Em Novembro de 2010, fui na minha médica maravilhosa Dr. Maria Cristina Silva Lazar, e ela fez uma bateria de exames em mim e no meu marido para ver se tínhamos alguma coisa, pois era melhor tratar antes de engravidar, do que depois de grávida, pois se tivesse algo não poderia tomar muitos medicamentos se eu estivesse grávida.

Fizemos e eu tirei nota 10! Não tinha absolutamente nada, e meu marido tinha umas coisinhas mas que não interferia na gravidez. (pedra no rim….rsrs… tadinho)

Parei o remédio em novembro e no final de dezembro já senti meus peitos enormes. Tive uma cólica muito forte e fui para o hospital e lá fiz o exame e descobri que estava grávida!

Foi tanta felicidade!!! Realmente foi muito fácil!! Eu estava de 9 semanas e logo depois fui viajar para um casamento e não consegui ir na minha médica para ver como estava.

Quando voltei, marquei urgente a médica e fui ver e sentir o meu bebê!!! Já estava com 11 semanas!!! Mas infelizmente não foi bem o que eu havia planejado. Não conseguimos ouvir o coração. A médica foi delicada e me pediu para repetir um exame mais profundo em outra clinica para ver o que estava acontecendo e que era para eu me acalmar. Mas senti um vazio tão profundo.  Senti que não havia nada dentro de mim. Sai do consultório chorando!!!

Após uma semana confirmou o meu vazio. Não tinha bebê. Tive uma gestação ANEBRIONADA. Gestão OVO CEGO, ou seja tinha a placenta, mas não tinha nada dentro. Se eu fizesse os exames de sangue o betaHCG, daria que eu estava grávida. Por algum motivo o corpo elimina um corpo estranho.  Caiu o meu chão!!! Chorei tanto…. e ainda tinha que decidir em fazer a curetagem ou esperar o corpo expelir o que sobrava.

Mas quis tirar tudo de dentro. Seria como se tirando aquilo, tiraria a minha dor também! Doi tanto!!! Decidi fazer a curetagem e foi preciso mais de 3 comprimidos (tipo abortivos)  que colocam no útero para soltar a placenta. Na verdade não quis me aprofundar muito no assunto, para não sofrer mais.

Após 4 dias, fui trabalhar em uma feira em Brasília de bebê e gestante e quando eu via tantos bebês e tantas grávidas, me perguntava o porque de estar passando por aquilo.

Será que eu conseguiria engravidar novamente? Será que eu tinha algum problema? Meu marido não era, pois ela já tinha um filho.

Após 2 meses, eu e meu marido fomos viajar para poder esquecer o assunto, e a médica já tinha me liberado para engravidar novamente. Estava com medo de acontecer tudo de novo.

Após a viagem descobri que estava grávida! Super fértil!!! Maravilha!!! Desta vez ficamos quietos e só contaríamos para a família e os amigos após os 3 meses, quando tudo estivesse mais firme.

Fui na médica na quinta feira com 6 semanas e ouvi o coração do bebê!!! Que sensação mais sensacional que senti na minha vida!!! Estava tudo perfeito!!! Um alívio tão grande, uma emoção tão grande! Eu seria mãe!!!

Mas após 3 dias fui ao banheiro, em um domingo a noite, e fazia xixi de sangue!!! Respirei fundo, e pedi a Deus para não ser o que eu pensava!!!  Liguei na mesma hora para minha médica e ela pediu para eu sair correndo para a maternidade.

Eu e meu marido saímos correndo com o coração na mão, e da minha casa até o hospital eu chorei e ele também!!! Não trocamos uma só palavra. Não sabíamos o que seria.

Entramos pelo pronto socorro, e lá saiu o veredito: Tive um descolamento enorme de placenta! Na hora do ultrassom a minha única pergunta foi: “Cadê o meu bebê?”

A enfermeira super delicada me mostrou que estava bem no cantinho, uns 5 mm que não descolou, bem escondidinho, mas que estava ali, para eu ficar tranquila. O hospital ligou para minha médica, e por lá nos conversamos pelo telefone e ela me pediu para ir para casa, e ficar até a 16ª semana da gravidez de repouso com os pés para cima. E que ela queria me ver para fazer uma bateria de exames mais profundos e ver o que estava acontecendo comigo, já que antes eu não tinha nada!

Fiz todos os exames e infelizmente saiu o diagnóstico de TROMBOFILIA ou mutação de gen Heterozigota. (mutação MTHFR) e existe a homozigota que é bem mais complexa.

Não consultei o “Dr. Google” pois a maior recomendação da médica foi isso, pois encontramos coisas boas, mas muito mais coisas ruins, aonde infelizmente temos a tendência de sempre olhar para o pior.

Diante dessa mutação, é recomendável especialmente para mulheres portadora, o uso de ácido fólico desde 3 meses antes da gravidez até no mínimo 3 meses de gestação. É possível fazer a dosagem de sangue do ácido fólico e outras vitaminas do Complexo B (B6 e B12) para saber se estão no patamar esperado, no entanto em qualquer caso a mulher deve tomar o ácido fólico por precaução.

Outro prejuízo é o possível aumento de Homocisteina. Esta se relaciona com doença cardiovasculares e com trombofilia e maus resultados gestacionais (abortos de repetição, óbito fetal e pré-enclampsia). No entanto, esta mutação como fator de trombofilia é considerada um dos fatores de menor impacto. (ufaaaa……)

Não existe um consenso sobre a conduta a se utilizar neste caso. Sempre bom ter um médico de sua confiança para te explicar e te indicar o melhor tratamento. Alguns médicos entendem que basta a mulher ser portadora de Mutação MTHFR em qualquer circunstância para já ser considerada portadora de uma trombofilia e portanto necessitar o uso de anticoagulante na gravidez, no meu caso foram as injeções de Clexane.

Após isso também descobri que o uso do anticoncepcional no meu caso era um veneno para minha saúde, e que ele aumenta em 60 vezes os casos de trombofilia na gravidez.

Hoje tenho Mirena, que é um dispositivo que não me deixa ovular e que é colocado diretamente no meu útero e que não entra em contato com a minha corrente sanguínea.

Mas, foram 224 agulhadas de esperança, foram 224 agulhas de amor que doíam pra caramba!!! Sério, as primeiras foram de chorar, o liquido grosso do caramba. Em uma das injeções meu marido foi com mais força para ir mais rápido, e aquela chorei tanto, e pedi para ele nunca mais fazer isso. Depois daquele dia aprendi a dar injeção em mim mesma… foi traumático!!!

Foram 32 semanas de amor com aquelas agulhas. Elas eram minhas parceiras, pois foi graças a ela que veio a minha princesa. Minha gravidez foi maravilhosa!!! Depois delas não tive mais nada, só tinha que ter mais cuidado com peso e escadas e não podia fazer muito esforço, nem dançar meu forró a médica deixou!!! Mas tudo bem!!! Rsrs

E o que aprendi com tudo isso? A ter RESILIÊNCIA…. a minha resiliência materna.

Aprendi a ser grata a Deus, que através disso nem tudo sai do jeito que planejamos e que aprendemos com a dificuldade a nos tornar pessoas melhores. Eu tinha que passar por isso. Eu achava que eu poderia fazer tudo na gravidez, que ia dançar, trabalhar, correr, pular…. e não pude fazer nada disso. Mas fui tão grata aquelas injeções, pois minha filha nasceu saudável e realizei o sonho de ser mãe, de me tornar mãe, de ter a oportunidade de ser uma pessoa melhor para ela.

Quantas mulheres não passam por “resiliências maternas” para ser mães?

Tenho amigas que:

  • perderam os bebês com a gestação avançada,
  • se separam dos maridos grávidas,
  • descobriram doenças em seus bebês na barriga,
  • operaram  os bebês na barriga,
  • Endometriose.

E hoje as admiro pela capacidade de passar pelas dificuldades e se tornarem as mulheres e mães mais fortes que conheço.

Mães, nunca desistam do seus sonhos, dificuldades muitas passam, cada uma com o seu fardo para carregar, mas pode ter certeza que se não nos entregarmos, Deus nos prepara sempre o melhor presente na vida.

O meu presente é este:

Maria Rapunzel

De tanta injeção que tomei, acho que trouxe tanta saúde, tanta alegria, tanto amor, que hoje a minha vida e do meu marido é muito melhor com ela!

Beijoss no coração de todas!!!

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